Justiça lenta? Sim, mas falta respeito e educação…

Eu era da modinha que reclamava da justiça o tempo todo, pela sua lentidão e “injustiça” em determinados casos. Não considerando que o Estado é o maior litigante, e de má fé em várias lides, depois de conversar com algumas pessoas e ver o Misael falando na palestra cheguei a conclusão que que a lentidão não é apenas culpa da máquina judicial e sim, para variar, um problema da nossa sociedade.

Você já deve ter ouvido ou se deparado com algo assim: “Ahh é bom que assim eu posso processar ele e ficar rico”

Esta é a mentalidade de muitas pessoas e o sonho vendido por muitos advogados. As pessoas, por falta de educação e por ter uma cultura de brasileiro mesmo estão usando a justiça como loteria e também estão deixando de lado a possibilidade de autocomposição, ou seja, resolver o problema na conversa, no acordo.

Alguém bate no seu carro você já pensa em matar a pessoa, como matar é algo sinistro, vc tenta ferrar ela de todas as maneiras. Antes mesmo de tentar um acordo já pensa: “aeee, sifu mano, agora vou meter uns danos morais em você para pagar minha viagem para Europa”. E o cara que bate, confiando na justiça maravilhosa chega para você e diz: “mano se vc quiser alguma coisa de mim vai para justiça”

Qual seria o caminho utópico na situação proposta: “o cara que tem culpa assume a responsa e o cara que teve o prejuízo, civilizadamente, calcula o valor exato do mesmo sem querer tirar vantagem”.

Resumindo, se as pessoas tivessem mais educação no sentido lato senso do termo, conseguiriam resolver os problemas de forma civilizada só recorrendo a justiça em casos complexos e, de fato, necessários.

Para finalizar, o Misael estava falando sobre o processo de execução brasileiro que, de forma descomplicada, significa que é o processo necessário para fazer o réu cumprir com sua obrigação depois que ele já tenha sido condenado e judicialmente compelido a pagar o débito. Resumindo, o cara desobedece a ordem judicial para pagar, por exemplo, e daí precisa ser executado.. uma espécie de caça as bruxas na linha do se vc não pagar a gente vai tomar. (nesta brincadeira minha mãe tem uma pendenga que já vai fazer 10 anos e o réu está se escondendo da citação).

Então, o Misael disse que num seminário internacional um juiz brasileiro perguntou para um juiz americano como é que funcionava o processo de execução lá na gringolândia e o cara ficou sem entender a pergunta. Lá simplesmente não existe execução ele disse.

Meio abismado o juiz brasileiro perguntou: “Mas e ae figura, como é que vocês obrigam o infeliz a pagar a conta?!”

Resposta curta e grossa: “Notificamos o xerife e ele bota o cara para ver o sol nascer quadrado”.

O maluco ainda insistiu: “Pô mas prender o povo por dívida é proibido por tratados internacionais XYZTZW… (papo humanista)”

Por fim veio a resposta: “Meu senhor, eu não mando prender o cidadão por causa da dívida, eu mando prender ele pq ele descumpriu ordem judicial”

TOMOU?!

1 comment

  1. Cara, vc tá levando a sério mesmo o curso de direito, hein!

    Litigante, má fé, lide, autocomposição? Cadê o Sikora!? rsrsrs

    Ok, mas falando sério:

    Data venia, não me venhas com prosopopéias flácidas para encantar bovinos.rsrs

    Nestas horas eu me lembro do escritor Honoré de Balzac (1799-1850) em um divertido romance que ele escreveu em 1825, intitulado “O código dos homens honestos”. No livro, fica claro que o crime ou delito não acontece por falta de leis ou falta de punição. Mas porque existe a lei, e a lei foi feita pra evitar que o criminoso pego em flagrante delito, não seja executado sumariamente. Desta forma, a lei concede habeas corpus, liminares sem fim e o processo se arrasta por anos até caducar. E viva a impunidade!

    Quer dizer, a lei não foi feita pra defender o cidadão honesto e sim para evitar que ele faça justiça com as próprias mãos.

    Abraços,
    Paulinho Uda

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